Tinham-no em conta de um grande escritor. Cinquenta anos de idade, desde muito cedo descobrira que se não escrevesse sua já frágil sanidade mental corria o risco de abandoná-lo definitivamente. Andava sempre com um bloco de papel, ou um pequeno caderno, e nele rabiscava suas impressões sobre o que via. Em grande parte, as anotações eram indecifráveis, seja pela caligrafia grotesca, deformada pelo tédio e pela ira, seja pela inegável originalidade das idéias. Tão originais que nem ele ali se reconhecia. Por esse motivo, não se incomodava se, de repente, alguém surpreendesse seus papéis e tentasse ler aquilo. Entre desenhos estranhos, como a lua que se curvava dando gargalhadas, e o homem composto de mãos, as palavras seguiam-se sem nada revelar.
Até que certo rapaz, magro, alto, e com um olhar enfadonho, lançou-o sobre aquelas frases. "Isso é literatura moderna!", disse. "Tu desvirtuaste a prosa, resgatando sua perdida função poética através do intra-diálogo", completou. O rapaz tinha bons conhecimentos em uma editora, e pediu ao homem que reunisse algo. Como fosse desempregado, e além disso se atraísse pela glória, gostou da idéia. Sem qualquer critério, remexeu os velhos cadernos, e separou uns tantos que já formassem um volume. Intitulou: "Blasfêmias".
E entregou ao rapaz moderno.Os editores, embora estranhassem aquele estilo, gostaram. Era uma obra fragmentária, segundo disseram. Em um mês, "Blasfêmias" estava nas livrarias de todo o país. Críticas em jornais, TV, convites para palestras em eventos diversos, logo o homem figurava no rol dos maiores intelectuais da nação. Alguns poucos olhavam-o com ceticismo, acusavam-o de oportunista, pseudo qualquer coisa. Só que ele já havia sido advertido que surgiriam tais reações, e sabia exatamente como se portar. Os jornalistas procuravam-o para saber o que tinha a dizer sobre a declaração do multiinstrumentista Fulano de Tal. Se fosse para televisão, inclinava a cabeça, sorria debochado e soltava coisas do tipo:
- Quero que esse cara se foda. Ele já era.
No dia seguinte, sua frase saía estampada nas revistas mensais e semanais, reverberava nos programas televisivos, ganhava os outdoors, e os admiradores do grande escritor só aumentavam. O multiinstrumentista, de ícone da cultura nacional, progressivamente tornava-se símbolo de nosso atraso. Ele, o poeta pós-concreto, a atriz cult e mais alguns ícones da cultura nacional, ao investir contra o laureado escritor, automaticamente eram relegados a símbolos de nosso atraso. Os demais logo perceberam essa regra, e, muito embora quisessem enxovalhar o polêmico escritor, disso se abstinham, em nome da própria sobrevivência. Em vez disso, eram orientados a enaltecê-lo. O dramaturgo de primeira, quando apareceu a oportunidade, asseverou:
- Vivemos uma renovação no cenário socio-artístico nacional, e ele é o símbolo disso.
E daí seguiam-se loas e mais loas ao cantado em verso e prosa escritor, e os anos foram passando, sem que alguém ousasse questionar o seu inquestionável valor. Casou-se trinta vezes com as mulheres mais desejadas da nação, e por diferentes razões. Enquanto isso, continuava a encher cadernos e mais cadernos com sua refinada literatura, no entanto, após "Blasfêmias" nada mais publicou. Também nada mais falou após repetir aquelas palavras para os cinco ex-ícones que ousaram enfrentá-lo. Aos cinquenta anos morreu de cirrose, e passados outros vinte começa a ganhar fôlego uma tendência acusando-o de ter sido uma grande farsa.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Casa Branca: "a Fox mente"
Barack Obama declarou guerra aos setores mais conservadores da imprensa norte-americana, como a rede Fox, e os jornais New York Times e Washington Post. Em especial a Fox, classificada pela diretora de comunicação de Obama, Anita Dunn, como um apêndice do Partido Republicano, em vez de uma empresa jornalística.
"A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico." - comenta Dunn.
O governo dos EUA considera que falar à Fox é o mesmo que debater com a oposição, e assim a rede passa a ser tratada.
É internacionalmente conhecida a fama ultraconservadora da rede Fox, mas esta é a primeira vez que um presidente americano entra em rota de colisão com o canal líder de audiência no país. Um post recente no blog da Casa Branca traz como título uma frase familiar a nós, paraenses: "a rede Fox mente".
Para quem não se lembra, o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues lançou a campanha "O Liberal mente", nos idos dos anos 90, dando uma resposta à altura da oposição virulenta que este jornal fazia à sua gestão.
A coincidência não evidencia uma (inexistente) semelhança política entre Edmilson e Obama, mas um padrão de comportamento universal da imprensa reacionária, frente a governos minimamente progressistas - sim, para a realidade dos EUA Obama pode ser considerado progressista. Os ataques constantes, carregados de ódio e ironia, exigem respostas categóricas, sob pena dos governos acabarem sendo reféns desses grupos.
Lula poderia aprender um pouco com Edmilson e Obama.
Alan Araguaia
Informações deste post no blog do Azenha
"A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico." - comenta Dunn.
O governo dos EUA considera que falar à Fox é o mesmo que debater com a oposição, e assim a rede passa a ser tratada.
É internacionalmente conhecida a fama ultraconservadora da rede Fox, mas esta é a primeira vez que um presidente americano entra em rota de colisão com o canal líder de audiência no país. Um post recente no blog da Casa Branca traz como título uma frase familiar a nós, paraenses: "a rede Fox mente".
Para quem não se lembra, o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues lançou a campanha "O Liberal mente", nos idos dos anos 90, dando uma resposta à altura da oposição virulenta que este jornal fazia à sua gestão.
A coincidência não evidencia uma (inexistente) semelhança política entre Edmilson e Obama, mas um padrão de comportamento universal da imprensa reacionária, frente a governos minimamente progressistas - sim, para a realidade dos EUA Obama pode ser considerado progressista. Os ataques constantes, carregados de ódio e ironia, exigem respostas categóricas, sob pena dos governos acabarem sendo reféns desses grupos.
Lula poderia aprender um pouco com Edmilson e Obama.
Alan Araguaia
Informações deste post no blog do Azenha
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Sobre golpes brandos
Quem ainda duvidava do caráter manipulador da chamada grande imprensa nacional, apelidada por Paulo Henrique Amorim de PiG (Partido da imprensa Golpista), deve render-se aos fatos diante da cobertura que fazem do golpe em Honduras. Para começar, criaram um eufemismo, largamente utilizado por colunistas (ou "colonistas", como prefere o já citado PHA) da estirpe de Miriam Leitão, Dora Kramer e Eliane Catanhêde (percebi agora que as mulheres estão com tudo nesse ramo): "governo de facto" (já com a devida atualização gramatical, é claro). Essa expressão me faz lembrar aquela outra, que diz que tal coisa "é de fato, mas não de direito", ou vice-versa. Matei a charada! Para não dizer que os golpistas não são por direito o governo de Honduras, escorregam para o tal "governo de facto". Uma mensagem subliminar.
Desde que os golpistas fecharam uma rádio e uma TV de oposição, na última segunda-feira (28), percebi pelo menos no portal UOL uma mudança de postura. A manchete falava de governo golpista. Obviamente o espírito corporativista falou mais alto: mexeram com os meios de comunicação, nossos iguais! Enquanto os golpistas depuseram e expulsaram o presidente democraticamente eleito do país; reprimiu duramente manifestações populares, resultando inclusive em mortes e impuseram o toque de recolher, até então eram o "governo interino" ou "governo de fato".
O UOL, inclusive, agiu dissimuladamente em uma matéria de ontem (não achei o link), ao dizer que "consultou especialistas", os quais afirmaram o que todos já sabíamos: chamar o governo de Michelleti de "interino" é uma concessão a um regime golpista! A tímida "errata" saiu ensanduichada em uma matéria mais ampla sobre a crise em Honduras. Quer dizer que ingenuamente o portal errava, agora aprendeu que o certo é o termo golpista? Sei, acredito!
Tudo isso faz lembrar uma sucessão de episódios da História, em que num primeiro movimento a mídia apóia abertamente golpes de Estado, para depois posar de vítima e, finalmente, calar-se até que a conjuntura aponte para uma redemocratização, quando se apresenta como se fosse tudo o que sempre quis. Devemos ficar atentos, pois um golpe no Brasil não é coisa tão improvável. E se acontecer, as informações chegarão nubladas à população. Vão dizer que golpista é o presidente de plantão, que quer se perpetuar no poder, fazer reforma agrária na marra, controlar os media, entre outras atrocidades. E que contra isso faz-se necessário que os demais Poderes cortem as asinhas do tal presidente... não é impossível.
Alan Araguaia
Desde que os golpistas fecharam uma rádio e uma TV de oposição, na última segunda-feira (28), percebi pelo menos no portal UOL uma mudança de postura. A manchete falava de governo golpista. Obviamente o espírito corporativista falou mais alto: mexeram com os meios de comunicação, nossos iguais! Enquanto os golpistas depuseram e expulsaram o presidente democraticamente eleito do país; reprimiu duramente manifestações populares, resultando inclusive em mortes e impuseram o toque de recolher, até então eram o "governo interino" ou "governo de fato".
O UOL, inclusive, agiu dissimuladamente em uma matéria de ontem (não achei o link), ao dizer que "consultou especialistas", os quais afirmaram o que todos já sabíamos: chamar o governo de Michelleti de "interino" é uma concessão a um regime golpista! A tímida "errata" saiu ensanduichada em uma matéria mais ampla sobre a crise em Honduras. Quer dizer que ingenuamente o portal errava, agora aprendeu que o certo é o termo golpista? Sei, acredito!
Tudo isso faz lembrar uma sucessão de episódios da História, em que num primeiro movimento a mídia apóia abertamente golpes de Estado, para depois posar de vítima e, finalmente, calar-se até que a conjuntura aponte para uma redemocratização, quando se apresenta como se fosse tudo o que sempre quis. Devemos ficar atentos, pois um golpe no Brasil não é coisa tão improvável. E se acontecer, as informações chegarão nubladas à população. Vão dizer que golpista é o presidente de plantão, que quer se perpetuar no poder, fazer reforma agrária na marra, controlar os media, entre outras atrocidades. E que contra isso faz-se necessário que os demais Poderes cortem as asinhas do tal presidente... não é impossível.
Alan Araguaia
domingo, 9 de agosto de 2009
Um choque de realidade
No blog Hupomnemata, do professor Fábio Castro:
O caso é que as pesquisas caminham na direção de onde há cooperação científica consolidada. Na comunicação da UFPA não temos isso. Não tenho parceiros, minha faculdade não tem grupos de pesquisa e a percepção que predomina sobre um futuro curso de mestrado é que, para fazê-lo, basta um projeto.
Leia a íntegra do post.
citado por Alan Araguaia
O caso é que as pesquisas caminham na direção de onde há cooperação científica consolidada. Na comunicação da UFPA não temos isso. Não tenho parceiros, minha faculdade não tem grupos de pesquisa e a percepção que predomina sobre um futuro curso de mestrado é que, para fazê-lo, basta um projeto.
Leia a íntegra do post.
citado por Alan Araguaia
domingo, 2 de agosto de 2009
No limite
O Programa "No limite III", da rede globo, está acontecendo numa fazenda alugada, entre Flecheiras e Lagoinha, no litoral leste do Ceará.
Sei disso porque semana passada estive lá fazendo uma visita com minha esposa, minha mãe e meu irmão menor. Lagoninha é uma pequena praia, muito bonita, que recentemente recebeu um grande contigente de hotéis, que estão acabando com seu litoral (lá as dunas já não existem mais). Existe lá um hotel que teve suas obra embargada pelo poder público, por ter mais de quadro andares.
Os bugueiros e moradores do local não estão satisfeitos com a grande emissora, pois sua economia, de aluguel de quadriciclos e buggys para andar na areia, está parcialmente tolida, por causa do fechamento da ponta de praia que liga Flecheiras a Lagoinha. As pessoas que já conhecem o passeio não querem fazê-lo "mais curto", e deixam de ir, deixando os bugueiros sem receita. Ouvi várias vezes eles dizendo de uma ação que estão movendo contra a Rede Globo, por obstrução de seu trabalho.
Parece que a globalização é descontínua e desigual, mas chega para todos.
Sei disso porque semana passada estive lá fazendo uma visita com minha esposa, minha mãe e meu irmão menor. Lagoninha é uma pequena praia, muito bonita, que recentemente recebeu um grande contigente de hotéis, que estão acabando com seu litoral (lá as dunas já não existem mais). Existe lá um hotel que teve suas obra embargada pelo poder público, por ter mais de quadro andares.
Os bugueiros e moradores do local não estão satisfeitos com a grande emissora, pois sua economia, de aluguel de quadriciclos e buggys para andar na areia, está parcialmente tolida, por causa do fechamento da ponta de praia que liga Flecheiras a Lagoinha. As pessoas que já conhecem o passeio não querem fazê-lo "mais curto", e deixam de ir, deixando os bugueiros sem receita. Ouvi várias vezes eles dizendo de uma ação que estão movendo contra a Rede Globo, por obstrução de seu trabalho.
Parece que a globalização é descontínua e desigual, mas chega para todos.
Fabrício Mattos
Folhetinesco
A Folha de São Paulo está com raiva da TV Brasil. Diz que é desperdício do dinheiro público. Bom, nada consta, no editorial abaixo, sobre o empenho de construir pela primeira vez um sistema público de TV no Brasil, que tem imensas falhas, obviamente, mas que começa a veicular uma programação diferenciada da grande mídia. assisti recentemente um documentário sobre o trabalho precário na africa subsaariana, vejo seu telejornal todos os dias (que também tem muitas falhas, mas o conteúdo é superior aos jornais : da Band, Nacional e do SBT).
O Repórter Brasil (telejornal noturno da TV Brasil) passa no horário da novela das nove da globo, e traz algumas inserções diárias de vídeos feitos por organizações da sociedade civil, explicações sobre temas da agenda contemporanêa e busca sempre notícias das cinco regiões do país.
Quanto à sua extinção (proposta pela Folha), podemos fazer uma analogia com o exemplo histórico do Ministério da Cultura. Sob o pretexto de que "o Estado não deve interferir na cultura" e "devenmos enxugar o estado, cortando cusstos", em 1992 Fernando Collor extinguiu o Ministério da Cultura do Brasil, transformando-o em sercretaria.
Mesmo após sua "recriação", em 1994, até hoje o Minc sofre com o impacto daquela época: falta de pessoal qualificado a longo prazo e instabilidade institucional, apesar deste quadro se reoganizar com a gestão Lula/ Gil/ Ferreira.
Será que a melhor saída é extinguir uma instituição nascente, que ainda está em fase de estruturação (acabou de completar um ano)? a sociedade civil a critica, mas a quer.
Parece que os empresários da comunicação, não.
Segue abaixo o seu editorial publicado em 31 de julho de 2009:
TV que não pega
LANÇADA EM 2007 pelo governo como se fosse uma espécie de versão brasileira da BBC, a TV Brasil já perdeu 6 dos seus 15 conselheiros originais em pouco mais de um ano e meio. Coincidentemente, a TV criada por Lula acabou de ganhar uma nova identidade visual, que, segundo comunicado da emissora, dará “uma cara moderna e atual” ao logotipo. Mas pouca gente ficou sabendo, dado o exíguo alcance do canal.A TV Brasil integra a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que tem Orçamento de R$ 350 milhões por ano e abarca nove rádios e duas outras emissoras, além de seu carro-chefe.O governo queria, com a EBC, criar uma grande rede pública nacional. Após a saída de três diretores vinculados ao Ministério da Cultura, o controle ficou nas mãos da Secretaria de Comunicação, do ministro Franklin Martins. A TV que se queria pública é antes de mais nada um cabide de empregos.O lance mais recente da novela da emissora foi o anúncio feito à Folh a pelo presidente do conselho curador, Luiz Gonzaga Belluzzo, de que entregará o cargo.Antes dos problemas políticos, a empresa padece de irrelevância técnica. Tem alcance muito restrito pela rede aberta, funcionando basicamente para clientes de operadoras de TV por assinatura. Segundo a emissora, muitos espectadores assistem à programação por antena parabólica, o que também serve como justificativa para não divulgar dados sobre audiência.O fato é que a TV Brasil já começou mal, através de uma medida provisória, em vez do encaminhamento por projeto de lei. Tem 15 “representantes da sociedade civil” em seu conselho, todos nomeados pelo presidente Lula. Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada -antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte.
O Repórter Brasil (telejornal noturno da TV Brasil) passa no horário da novela das nove da globo, e traz algumas inserções diárias de vídeos feitos por organizações da sociedade civil, explicações sobre temas da agenda contemporanêa e busca sempre notícias das cinco regiões do país.
Quanto à sua extinção (proposta pela Folha), podemos fazer uma analogia com o exemplo histórico do Ministério da Cultura. Sob o pretexto de que "o Estado não deve interferir na cultura" e "devenmos enxugar o estado, cortando cusstos", em 1992 Fernando Collor extinguiu o Ministério da Cultura do Brasil, transformando-o em sercretaria.
Mesmo após sua "recriação", em 1994, até hoje o Minc sofre com o impacto daquela época: falta de pessoal qualificado a longo prazo e instabilidade institucional, apesar deste quadro se reoganizar com a gestão Lula/ Gil/ Ferreira.
Será que a melhor saída é extinguir uma instituição nascente, que ainda está em fase de estruturação (acabou de completar um ano)? a sociedade civil a critica, mas a quer.
Parece que os empresários da comunicação, não.
Segue abaixo o seu editorial publicado em 31 de julho de 2009:
TV que não pega
LANÇADA EM 2007 pelo governo como se fosse uma espécie de versão brasileira da BBC, a TV Brasil já perdeu 6 dos seus 15 conselheiros originais em pouco mais de um ano e meio. Coincidentemente, a TV criada por Lula acabou de ganhar uma nova identidade visual, que, segundo comunicado da emissora, dará “uma cara moderna e atual” ao logotipo. Mas pouca gente ficou sabendo, dado o exíguo alcance do canal.A TV Brasil integra a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que tem Orçamento de R$ 350 milhões por ano e abarca nove rádios e duas outras emissoras, além de seu carro-chefe.O governo queria, com a EBC, criar uma grande rede pública nacional. Após a saída de três diretores vinculados ao Ministério da Cultura, o controle ficou nas mãos da Secretaria de Comunicação, do ministro Franklin Martins. A TV que se queria pública é antes de mais nada um cabide de empregos.O lance mais recente da novela da emissora foi o anúncio feito à Folh a pelo presidente do conselho curador, Luiz Gonzaga Belluzzo, de que entregará o cargo.Antes dos problemas políticos, a empresa padece de irrelevância técnica. Tem alcance muito restrito pela rede aberta, funcionando basicamente para clientes de operadoras de TV por assinatura. Segundo a emissora, muitos espectadores assistem à programação por antena parabólica, o que também serve como justificativa para não divulgar dados sobre audiência.O fato é que a TV Brasil já começou mal, através de uma medida provisória, em vez do encaminhamento por projeto de lei. Tem 15 “representantes da sociedade civil” em seu conselho, todos nomeados pelo presidente Lula. Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada -antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte.
Fabrício Mattos
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Abaixo-assinado em favor de Lúcio Flávio Pinto
O repórter e editor do Jornal Pessoal, de Belém do Pará, Lúcio Flávio Pinto, foi condenado pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cível da capital, a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, proprietários das Organizações Romulo Maiorana, uma das empresas de comunicação mais influentes da Região Norte, cuja emisssora de TV é afiliada à Rede Globo. A sentença, expedida no último dia 6 de junho de 2009, refere-se a uma das quatro ações indenizatórias movidas pelos irmãos contra o jornalista que, em 2005, publicou artigo ("Um Império ao Norte", leia ao lado) em um livro organizado pelo jornalista italiano Maurizio Chierici, depois reproduzido no Jornal Pessoal, no qual aborda, entre outros aspectos, a atividade de contrabandista do fundador das ORM, Romulo Maiorana, nos anos de 1950, o qu e teria motivado a ação, pois os irmãos consideraram ofensivo o tratamento dispensado à memória do pai. Além da indenização por supostos danos morais, o juiz ainda obriga o jornalista a não mais referir-se aos irmãos em seus próximos artigos.
Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d’oro per La Pace; e em 2005, em Nova Iorque, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor d e 14 livros, tendo como tema central a Amazônia, sendo os mais recentes “Contra o Poder”, “Memória do Cotidiano” e “Amazônia Sangrada (de FHC a Lula)”.
Esse fato demonstra o que significa fazer jornalismo de verdade na capital do Pará: uma condenação.
Por isso, nós, abaixo-assinados, solidarizamo-nos com Lúcio Flávio Pinto, pedindo a revisão de sua condenação em nome da democracia e da liberdade de pensamento.
Para assinar, acesse aqui.
Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d’oro per La Pace; e em 2005, em Nova Iorque, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor d e 14 livros, tendo como tema central a Amazônia, sendo os mais recentes “Contra o Poder”, “Memória do Cotidiano” e “Amazônia Sangrada (de FHC a Lula)”.
Esse fato demonstra o que significa fazer jornalismo de verdade na capital do Pará: uma condenação.
Por isso, nós, abaixo-assinados, solidarizamo-nos com Lúcio Flávio Pinto, pedindo a revisão de sua condenação em nome da democracia e da liberdade de pensamento.
Para assinar, acesse aqui.
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